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O fato de nos deparamos com um novo
suporte para leitura, o digital, nos remeteu à necessidade de buscar um
entendimento do que significa esta nova prática usada pelos leitores. Por ser um
hábito recente em nossa história, os estudos a respeito, os conceitos definidos
a partir desta prática são também recentes e ainda em formação como Soares
(2002) nos coloca em seu texto.A autora aborda o
conceito de letramento considerando a sua pluralidade devido ao fato de que tanto
na área das letras quanto na área da educação a introdução desses conceitos
também foi feita há pouco tempo. Não temos ainda uma amplitude quanto ao
conceito em si, mas considerações a respeito, diz a autora. Soares (2002, p. 144-145) apresenta,
inicialmente, o que Kleiman e Tfouni entendem por letramento:
· Kleiman (1995): letramento "são as
práticas sociais de leitura e escrita e os eventos em que essas práticas são
postas em ação, bem como as conseqüências delas sobre a sociedade".
· Tfouni (1988): letramento são “as
mudanças sociais e discursivas que ocorrem em uma sociedade quando ela se torna
letrada”.
Soares
(2002, p. 145) alega que as práticas sociais de leitura e de escrita constituem
o núcleo do conceito de letramento e que ele vai além da alfabetização. A
autora afirma ainda que: “esse texto fundamenta o conceito de leitura para além
de tudo isso, o estado ou
condição de quem exerce as práticas sociais de
leitura e de escrita, de quem participa de eventos em que a escrita é parte
integrante da interação entre pessoas e do processo de interpretação dessa
interação – os eventos de letramento”.
Se
o letramento, enquanto conceito de leitura significa mais do que o simples ato
de decodificar, considerando a interação existente nas práticas sociais e suas consequências,
o que deveríamos entender então por Letramento
na cibercultura?
É
preciso refletir sobre as diferenças entre as novas práticas digitais de
leitura e as práticas tradicionais. A primeira engloba todos os suportes
disponíveis na atualidade como os smartphones,os
tablets,
os computadores entre tantos outros aparelhos tecnológicos que
disponibilizam a leitura no mundo cibernético. Já para a leitura feita dentro do que chamamos de práticas
tradicionais temos toda a gama de material impresso como revistas, livros,
jornais etc. Mas qual seria mesmo a diferença se o ato de ler é o mesmo, se o
que muda é apenas o suporte? Na verdade, o letramento vai ser diferente para
cada prática como Soares (2002, p. 148) afirma:
Para a análise das tecnologias
tipográficas e digitais de leitura e escrita de textos e hipertextos, são aqui
considerados os dois elementos mais relevantes de diferenciação entre elas: o
espaço de escrita e os mecanismos de produção, reprodução e difusão da escrita.
Por
um lado o que o leitor faz ao abrir um livro é a leitura de algo pronto,
acabado, definido pelo autor. Sua trajetória no ato de ler é linear, vai do
início ao fim da escrita. Soares (2002) pontua que as relações entre escritor e
leitor, entre o autor e o texto, e entre o leitor e o texto são marcadas por
uma linearidade que dá ao escritor o controle de limitar a interpretação de sua
obra. O autor de uma escrita cria e
delimita o percurso do que oferece para ser lido. Essa peculiaridade da obra
impressa vai se transformar quando o leitor passar a utilizar os meios digitais em
suas leituras.
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Assim, a mobilidade que um computador plugado na web oferece ao seu
usuário é o que vai fazer a diferença entre ler um texto em um livro e ler uma escrita em um
computador. Ao ser ligado, o computador abre uma janela que oferece ao leitor
inúmeras possibilidades de textos alcançáveis ao click de um mouse. Soares
(2002, p. 150) acredita que
O
texto no papel é escrito e é lido linearmente, seqüencialmente – da esquerda para
a direita, de cima para baixo, uma página após a outra; o texto na tela – o
hipertexto – é escrito e é lido de forma multilinear, multi-seqüencial,
acionando-se links ou nós que vão trazendo telas numa multiplicidade de
possibilidades, sem que haja uma ordem predefinida.
Essa
nova forma de interação entre leitor e texto é o que vai configurar o
letramento digital. Nesta nova modalidade de leitura o processo
cognitivo que o indivíduo realiza fica mais próximo dos esquemas mentais
realizados pelo ser humano, algo que não é linear, que é buscado através dos
recursos disponíveis como os hipertextos, as imagens, os vídeos relacionados ao
texto lido pelo usuário.
Se
pensarmos bem, qual seria mesmo a diferença de ler um texto em um suporte
impresso e ler em um suporte digital? A diferença seria o formato em si e a experiencia resultante de cada letramento, pois
cada um deles proporciona ao leitor uma experiência com características
próprias. Se na evolução da sociedade nos deparamos com o surgimento do texto
no suporte digital, certamente iremos nos deparar com outra forma de leitura,
uma forma de letramento compatível com os recursos que cada suporte nos
oferece. A consideração final de Soares (2002, p. 152) sobre o que devemos
observar nessa nova modalidade de letramento é a seguinte: “a tela como espaço de
escrita e de leitura traz não apenas novas formas de acesso à informação, mas
também novos processos cognitivos, novas formas de conhecimento, novas maneiras
de ler e de escrever, enfim, um novo letramento, isto é, um novo estado ou condição
para aqueles que exercem práticas de escrita e de leitura na tela.”. Ela acredita
que o letramento seja um fenômeno “plural, historicamente e contemporaneamente:
diferentes letramentos ao longo do tempo, diferentes letramentos no nosso
tempo.” (Soares, 2002, p. 156).
Postagem de Carla, Rúbia e Sirley.
REFERÊNCIAS
*SOARES, Magda. Novas práticas de leitura e escrita:
Letramento na cibercultura. In: Educ. Soc., Campinas, vol. 23, n.
81, p. 143-160, dez. 2002 143
Disponível em http://www.cedes.unicamp.br
e http://www.scielo.br/pdf/es/v23n81/13935
Acesso: 30/09/2014
Imagem 01:
https://encrypted-tbn1.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcR-Xw9jX7PBdZy0FYeLom2qjeW8QEJxTk7ye3UzFGt4x1Kj-DKU5A Acesso: 13/11/2014
Imagem 02:


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