quinta-feira, 13 de novembro de 2014

LETRAMENTO DIGITAL, NOVA FORMA DE LEITURA.


          Após pensarmos sobre o conceito de leitura achamos que seria preciso compreender também a respeito do conceito de letramento digital. A escrita que trazemos foi fundamentada nas considerações feitas por Magda Soares no texto Novas práticas de leitura e escrita: Letramento na cibercultura*



Imagem 01 disponível em www.google.com.br

      O fato de nos deparamos com um novo suporte para leitura, o digital, nos remeteu à necessidade de buscar um entendimento do que significa esta nova prática usada pelos leitores. Por ser um hábito recente em nossa história, os estudos a respeito, os conceitos definidos a partir desta prática são também recentes e ainda em formação como Soares (2002) nos coloca em seu texto.A autora aborda o conceito de letramento considerando a sua pluralidade devido ao fato de que tanto na área das letras quanto na área da educação a introdução desses conceitos também foi feita há pouco tempo. Não temos ainda uma amplitude quanto ao conceito em si, mas considerações a respeito, diz a autora. Soares (2002, p. 144-145) apresenta, inicialmente, o que Kleiman e Tfouni entendem por letramento:

·    Kleiman (1995): letramento "são as práticas sociais de leitura e escrita e os eventos em que essas práticas são postas em ação, bem como as conseqüências delas sobre a sociedade".

·       Tfouni (1988): letramento são “as mudanças sociais e discursivas que ocorrem em uma sociedade quando ela se torna letrada”.

Soares (2002, p. 145) alega que as práticas sociais de leitura e de escrita constituem o núcleo do conceito de letramento e que ele vai além da alfabetização. A autora afirma ainda que: “esse texto fundamenta o conceito de leitura para além de tudo isso, o estado ou condição de quem exerce as práticas sociais de leitura e de escrita, de quem participa de eventos em que a escrita é parte integrante da interação entre pessoas e do processo de interpretação dessa interação – os eventos de letramento”.

Se o letramento, enquanto conceito de leitura significa mais do que o simples ato de decodificar, considerando a interação existente nas práticas sociais e suas consequências, o que deveríamos entender então por Letramento na cibercultura?

  É preciso refletir sobre as diferenças entre as novas práticas digitais de leitura e as práticas tradicionais. A primeira engloba todos os suportes disponíveis na atualidade como os smartphones,os  tablets, os computadores entre tantos outros aparelhos tecnológicos que disponibilizam a leitura no mundo cibernético. Já para a leitura feita dentro do que chamamos de práticas tradicionais temos toda a gama de material impresso como revistas, livros, jornais etc. Mas qual seria mesmo a diferença se o ato de ler é o mesmo, se o que muda é apenas o suporte? Na verdade, o letramento vai ser diferente para cada prática como Soares (2002, p. 148) afirma:

Para a análise das tecnologias tipográficas e digitais de leitura e escrita de textos e hipertextos, são aqui considerados os dois elementos mais relevantes de diferenciação entre elas: o espaço de escrita e os mecanismos de produção, reprodução e difusão da escrita.


   Por um lado o que o leitor faz ao abrir um livro é a leitura de algo pronto, acabado, definido pelo autor. Sua trajetória no ato de ler é linear, vai do início ao fim da escrita. Soares (2002) pontua que as relações entre escritor e leitor, entre o autor e o texto, e entre o leitor e o texto são marcadas por uma linearidade que dá ao escritor o controle de limitar a interpretação de sua obra.  O autor de uma escrita cria e delimita o percurso do que oferece para ser lido. Essa peculiaridade da obra impressa vai se transformar quando o leitor passar a utilizar os meios digitais em suas leituras.  


Imagem 02 disponível em: www.google.com.br

    Assim, a mobilidade que um computador plugado na web oferece ao seu usuário é o que vai fazer a diferença entre ler um texto em um livro e ler uma escrita em um computador. Ao ser ligado, o computador abre uma janela que oferece ao leitor inúmeras possibilidades de textos alcançáveis ao click de um mouse. Soares (2002, p. 150) acredita que

 O texto no papel é escrito e é lido linearmente, seqüencialmente – da esquerda para a direita, de cima para baixo, uma página após a outra; o texto na tela – o hipertexto – é escrito e é lido de forma multilinear, multi-seqüencial, acionando-se links ou nós que vão trazendo telas numa multiplicidade de possibilidades, sem que haja uma ordem predefinida.

Essa nova forma de interação entre leitor e texto é o que vai configurar o letramento digital. Nesta nova modalidade de leitura o processo cognitivo que o indivíduo realiza fica mais próximo dos esquemas mentais realizados pelo ser humano, algo que não é linear, que é buscado através dos recursos disponíveis como os hipertextos, as imagens, os vídeos relacionados ao texto lido pelo usuário.

Se pensarmos bem, qual seria mesmo a diferença de ler um texto em um suporte impresso e ler em um suporte digital? A diferença seria o formato em si e a experiencia resultante de cada letramento, pois cada um deles proporciona ao leitor uma experiência com características próprias. Se na evolução da sociedade nos deparamos com o surgimento do texto no suporte digital, certamente iremos nos deparar com outra forma de leitura, uma forma de letramento compatível com os recursos que cada suporte nos oferece. A consideração final de Soares (2002, p. 152) sobre o que devemos observar nessa nova modalidade de letramento é a seguinte: “a tela como espaço de escrita e de leitura traz não apenas novas formas de acesso à informação, mas também novos processos cognitivos, novas formas de conhecimento, novas maneiras de ler e de escrever, enfim, um novo letramento, isto é, um novo estado ou condição para aqueles que exercem práticas de escrita e de leitura na tela.”. Ela acredita que o letramento seja um fenômeno “plural, historicamente e contemporaneamente: diferentes letramentos ao longo do tempo, diferentes letramentos no nosso tempo.” (Soares, 2002, p. 156).

 Postagem de Carla, Rúbia e Sirley.

REFERÊNCIAS

*SOARES, Magda. Novas práticas de leitura e escrita: Letramento na cibercultura. In: Educ. Soc., Campinas, vol. 23, n. 81, p. 143-160, dez. 2002 143


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