quarta-feira, 22 de outubro de 2014

IMPORTÂNCIA DO ATO DE LER!


Agora você, leitor, irá acompanhar o vídeo  de um dos maiores pensadores da Educação, o professor Paulo Freire, que, de uma forma simples e comunicativa, aborda a questão da leitura como processo inerente ao  ser humano. 
Você irá perceber que Paulo Freire concebe a leitura como um ato que contempla muito mais do que a decodificação de palavras, mas sim uma  leitura de mundo, repleta de significação e sentido.

Além disso, Paulo Freire traz muito a importância de o professor ser um educador  mediador do conhecimento, cuja prática docente encontra-se fundamentada no diálogo e na autonomia do sujeito.

Este vídeo respalda os conceitos de leitura e mediação nos quais  acreditamos, cujas fundamentações teóricas mais detalhadas encontram-se no decorrer deste blog.

Convidamos vocês a assistirem este vídeo!



Carla Sasset, Rúbia Pinno e Sirley Cella


terça-feira, 21 de outubro de 2014

UM POUCO DE TEORIA!


Pensando em aprofundar os conceitos destacados no mapa conceitual, trazemos dois pressupostos teóricos que embasam cada um deles. 




Fonte: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiyWr4sQyJ7e8ChBFZ3zJ2zUKoZt2cKERPPX95JAlWQq656ButkO7U7lS56dDShIhKeIYTz9UvSpAWBDsjdbVIjcAnyEGdfyaObtHVgyAtbohSzDqtBjVUKN3y-uYWTvUe6NGXGbo-1_0G2/s1600/leitur5.jpg




LEITURA E CONSTRUÇÃO DE SENTIDO

           O conceito de leitura defendido por Alliende & Condemarín (1987, p. 17-18) parte da seguinte afirmação: “As pessoas que não lêem tendem a ser rígidas em suas idéias e ações e a conduzir suas vidas e trabalho pelo que se lhes transmite diretamente. A pessoa que lê abre seu mundo, pode receber informações e conhecimentos de outras pessoas de qualquer parte.”  Os autores defendem que a leitura de um texto escrito é o momento em que o indivíduo pode exercitar a sua capacidade criativa, pois se utiliza da abstração, do estímulo de sua imaginação para compreender o que lê, ao passo que no meio audiovisual o contato com a informação torna o indivíduo um sujeito passivo na construção do conhecimento sobre o assunto que estiver sendo apresentado. O indivíduo, como leitor, é mais privilegiado quanto à possibilidade de utilizar os seus próprios códigos interpretativos que compreendem o aspecto linguístico e seu conhecimento de mundo para construir uma conclusão sobre o que estiver lendo.


             Sendo assim, ler representa uma modalidade discursiva da língua, que se faz presente em todas as etapas da escolarização e ao longo da vida, em diferentes graus de complexidade. Sendo assim, a linguagem é muito mais que um instrumento ou ferramenta de comunicação, ela é um dos domínios fundamentais para a construção do conhecimento e da cidadania.


            Alliende & Condemarín (1987) esclarecem que falar em leitura é falar em compreensão de sentido, pois


Toda leitura, propriamente dita, é pois compreensiva. Aprender a ler é aprender a compreender textos escritos. (A decodificação é somente uma base inicial necessária). Desse modo, uma pessoa aprende a ler só quando é capaz de compreender uma grande variedade de textos escritos, e, em particular, aqueles que são necessários ao seu desenvolvimento pessoal e social. (ALLIENDE & CONDEMARÌN, 1987, p.26)




            Kleiman (2013, p. 13 e 7) considera a leitura como “uma prática social que remete a outros textos e outras leituras”, ou seja, quando um texto é lido, “colocamos em ação todo o nosso sistema de valores, crenças e atitudes que refletem o grupo social em que se deu nossa sociabilização primária, o grupo em que fomos criados”. Defende que “O ensino de leitura é fundamental para dar solução a problemas relacionados ao pouco aproveitamento escolar: ao fracasso na formação de leitores podemos atribuir o fracasso geral do aluno no primeiro e segundo graus.”. A autora mostra que a leitura deve ter, na escola, uma abordagem que leva em conta a construção do sentido no texto e considera o ensino dos aspectos globais do texto, sua estrutura, ou seja, seu aspecto linguístico assim como a intencionalidade do autor.
          Dessa forma, a autora acredita ser possível, para o aluno, construir uma leitura com sentido se o professor enfatizar que é na estrutura do texto que se pode: “depreender o tema; construir relações lógicas e temporais; construir categorias superestruturais ou ligadas ao gênero; perceber relações de hierarquização entre as diversas informações veiculadas (por exemplo, ideia principal versus detalhe).” (Kleiman, 2013, p.130). Essa estratégia é necessária para que se perceba “o todo com base nas partes, de construir relações globais a partir de pistas locais” (Kleiman, 2013, p. 131), de modo que ele consiga desenvolver a capacidade de enxergar que o autor se utiliza desses recursos da língua como uma ferramenta para expor suas ideias em um discurso escrito.


Carla Sasset, Rúbia Pinno e Sirley Cella.

Referências

ALLIEND, Felipe e CONDEMARÍN, Mabel. A Leitura: teoria, avaliação e desenvolvimento. Porto Alegre, RS: Artes Médicas, 1987.

KLEIMAN, Angela. Leitura: ensino e pesquisa. 2ª ed., Campinas, SP: Pontes, 1996.





O LEITOR CONTEMPORÂNEO, A LEITURA E SUA FUNÇÃO SOCIAL. 

            O momento contemporâneo contempla os leitores que navegam, se conectam e se inter-relacionam com uma multiplicidade de gêneros textuais. A oferta de todo tipo de texto, disponível nos ambientes virtuais permite ao leitor fazer escolhas sobre o teor de sua leitura.
            Considerando as inúmeras possibilidades de leitura e focando à priori a leitura na Web trazemos para discussão o papel a ser desempenhado pelo professor para contribuir na formação leitora com vistas à construção de sentido?
            O conceito de leitor parece implicar num primeiro momento para elucidar de quem estamos falando. Trazendo Santaella (2014, s/p) a qual entende o leitor contemporâneo como leitor ubíquo, àquele que tem a capacidade de “[...] ler e transitar entre formas, volumes, massas, interações de forças, movimentos, direções, traços, cores, luzes que se acendem e se apagam [...]”. Além disso, tem seus horizontes de leitura expandidos porque “[...] pode penetrar no ciberespaço informacional, assim ou como pode conversar silenciosamente com alguém ou um grupo de pessoas a vinte centímetros ou a continentes de distância”, pensamos estar diante de um leitor configurado por um novo perfil.
            Em frente à configuração de um novo leitor, às mais diversas modalidades textuais e a uma nova dinâmica de leitura carece ao professor o entendimento de novos conceitos, de novas articulações mediativas de leitura, de novos métodos de aula que propiciem, além do prazer, uma leitura que constrói significado, que exerce a função social da língua, ou seja, que possa ser usada em sociedade permitindo escolhas individuais e coletivas que sirvam para o bem de todos.
            Ensinar sob a perspectiva do letramento é fazer uso da leitura para práticas sociais estabelecendo conexões do que se apreende na escola com as situações vividas, nesse sentido, sabedores de que a tela do computador contempla além da leitura de informações e constitui a possibilidade da construção de novos processos cognitivos, novas maneiras de leitura e escrita, nova forma de interação, uma nova condição de aprendizagem é possível perceber que estabelecer um link entre as leituras virtuais e os conceitos a serem desenvolvidos nos currículos das disciplinas escolares configura-se em uma nova modalidade de prática de ensino que permeia o uso das mídias e tecnologias a favor da elaboração de novo conhecimento.
            Abrir espaço para a leitura da web nos espaços escolares, mesclar os vários gêneros textuais, os hipertextos e constituir-se como o mediador das elaborações conceituais efetivadas pelos educandos configura o perfil de um professor receptivo ao atual, ao contemporâneo, ao universo midiático.
           
Carla Sasset, Rúbia Pinno e Sirley Morello Cella
           

SANTAELLA, Lucia. Desafios da ubiquidade para a educação. Disponível online em: <http://www.revistaensinosuperior.gr.unicamp.br/artigos/desafios-da-ubiquidade-para-a-educacao
 Acesso em: 15 de outubro 2014. As 14h09min.